
Lembro, com um certo saudosismo, da varinha de marmelo, sempre dependurada em algum cômodo da casa, ao alcance dos pais, pronta pra ser usada. Era como um símbolo do poder dos pais, os quais tinham, antes de tudo, o dever de manter a educação e o apreço aos valores e bons costumes.
Tempos esses em que não se tolerava desrespeito aos mais velhos, aos professores, às autoridades. A criança não havia comido da maçã do Éden e ainda era revestida da pureza, da inocência, ou seja, ainda era criança.
Com o tempo, a modernidade foi tirando essa essência e transformando o menor em um adulto precoce. A facilidade de informações, os programas televisivos inadequados, as revistas pornográficas expostas nas bancas sem nenhum cuidado, a facilidade em se comprar bebidas e cigarros, o comportamento dos pais no seio da família, ou seja, um sem número de fatores contribuíram para que a criança perdesse a inocência, distorcendo a visão para os valores e bons costumes.
Hoje está em debate a lei que proíbe que os pais usem o castigo (a palmada, por exemplo) como ferramenta de educação. É um paradoxo pois o mesmo estado que aplica essa lei é o mesmo estado omisso quanto uma educação de qualidade em sala de aula. É o mesmo estado que se faz de cego ante a programas de televisão (principalmente aos domingos) em que usam e abusam de cenas e palavras que, no tempo da varinha de marmelo, seria totalmente inadequada às nossas crianças. É o mesmo estado se faz omisso sabendo de famílias em condições de miséria se multiplicando, onde cada casal tem ao menos cinco filhos.
Sempre, em alguma sessão parlamentar, por ato obrigatório, é citado algum versículo bíblico. Cada político faz questão de frisar que é cristão, que acredita e segue a bíblia sagrada. Em posses, a bíblia sempre está presente. Em julgamentos, também temos a bíblia como parte da decoração.
Porém, esses mesmos, passam por cima de uma citação séria e inteligente que consta na própria bíblia a qual dizem acreditar sem contestar: “A vara da correção dá sabedoria, mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe.” (Provérbios 29.15).
Devemos pensar nas consequências de nossas ações, olhar ao redor e ver a transformação do ser humano, das cadeias lotadas, das inversões de valores, da falta de respeito ao idoso, dos professores com dificuldades em ministrar suas aulas para adolescentes desenfreados, dos pequenos pedintes parados nos sinaleiros, enfim, de uma multidão de marginais como cães raivosos, sedentos de sangue.
Parodiando aquele sucesso "musical", deixo isto posto para todos: um tapinha não dói!
Paz a todos!


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